O empresário Marcos Valério de Souza recusou a oferta de delação
premiada no inquérito que investiga a suspeita de envolvimento do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-ministro Antonio
Palocci com o esquema do mensalão.
Autor das acusações contra Lula e Palocci, Valério disse em
depoimento em abril à Polícia Federal e ao Ministério Público, em Minas
Gerais, que só aceitaria o acordo caso fosse beneficiado em todos os
outros inquéritos criminais abertos contra ele.
Valério depõe em inquérito que investiga Lula no mensalão
Valério foi esclarecedor, diz delegada da PF a colegas
Para Gurgel, depoimento de Valério 'está longe de ser detalhadíssimo'
Valério foi esclarecedor, diz delegada da PF a colegas
Para Gurgel, depoimento de Valério 'está longe de ser detalhadíssimo'
A delação é um instrumento legal que estimula acusados a colaborar
com investigações em troca de benefícios que vão da redução da pena até
o perdão judicial.
Com a recusa de Valério --condenado pelo Supremo Tribunal Federal a
mais de 40 anos de prisão por operar o mensalão--, a Folha apurou que
aumentou o ceticismo dos investigadores em relação ao desenrolar da
apuração.
A investigação contra Lula e Palocci começou após Valério ter
declarado ao Ministério Público, em setembro do ano passado, que os
dois petistas negociaram com Miguel Horta, então presidente da Portugal
Telecom, repasse de US$ 7 milhões ao PT.
Empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, pivô do escândalo do mensalão, quando foi preso em dezembro de 2011 Leia mais
Essa é a primeira vez que se investiga a possível participação do ex-presidente no esquema do mensalão.
A tentativa de ouvir Valério em Minas foi a primeira iniciativa da
delegada Andrea Pinho, a responsável na PF pelo inquérito. Mas, na
maior parte do tempo, o empresário ficou calado.
DIFICULDADES
A Folha apurou que os investigadores definiram a apuração
como difícil devido ao longo tempo passado desde a suposta reunião e
pelo fato também de o empresário recusar a delação.
| Editoria de Arte/Folhapress |
Ao prestar o depoimento em setembro, Valério fez outras acusações,
pediu proteção e disse estar disposto a aceitar a delação premiada, que
agora recusou.
As negociações entre o Ministério Público Federal e o empresário não
prosperaram porque, na opinião do procurador-geral da República,
Roberto Gurgel, Valério queria apenas "melar o julgamento" do mensalão.
Segundo a Folha apurou, ao ser ouvido em abril ele não tirou a
principal dúvida dos investigadores: descobrir quando exatamente teria
acontecido a suposta reunião em que Lula, Palocci e Horta teriam
tratado do repasse da Portugal Telecom ao PT.
No mensalão, Valério foi condenado no STF pelos crimes de formação
de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, peculato e evasão
de divisas.
A lei que trata da delação premiada prevê, por exemplo, que em casos
de crimes como lavagem de dinheiro, o beneficiado pode ter a pena
reduzida "de um a dois terços e ser cumprida em regime aberto ou
semiaberto".
O juiz pode decidir pela concessão da medida a "qualquer tempo". Há
casos de delações premiadas aceitas inclusive durante a execução da
pena pelo acusado.
OUTRO LADO
Na ocasião da abertura do inquérito, o presidente do Instituto Lula,
Paulo Okamotto, afirmou não haver informação nova "em relação às
publicadas há cinco meses", se referindo ao depoimento de Valério ao
Ministério Público. Ele nega envolvimento de Lula com o mensalão.
À época, o advogado do ex-ministro Palocci, José Roberto Batochio,
chamou o depoimento de Valério de "invencionice" e afirmou que o
próprio Horta já havia negado publicamente qualquer pedido de ajuda
financeira ao PT.
Na opinião de Batochio, a investigação da PF é sobre algo que não ocorreu.
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